Museus Hiperconectados: Novos Desafios e Perspectivas – entrevista

No último número do boletim do ICOM Portugal encontram uma entrevista que dei à Ana Carvalho sobre os desafios da aplicação da tecnologia nos museus e do actual momento destas instituições face ao mundo digital em que vivemos. Este número do boletim centrou-se no tema proposto este ano pelo ICOM para o Dia Internacional dos Museus “Museus Hiperconectados: Novos Desafios e Perspectivas” e trabalhando eu há alguns anos em museus e tecnologias a Ana lembrou-se de mim para esta conversa e eu agradeço reconhecido pela oportunidade de falar sobre vários assuntos que me interessam em termos académicos e profissionais.

Na entrevista, como poderão ler aqui, começamos na minha visão do estado actual da questão, até a uma perspectiva do que irá ser o futuro, não esquecendo as questões que agora se têm colocado relativamente às tecnologias utilizadas pelos museus e nos museus. Haveria sobre este assunto muito mais a dizer e certamente outras visões, bem mais informadas do que a minha, poderiam completar o que me parece ser o actual panorama. No entanto, julgo ter abordado uma boa parte das minhas inquietações sobre a relação, nem sempre estimada, museus/tecnologia.

Nela abordo também, dado que a relação é directa, a ausência total de uma verdadeira política museológica no país que possa preparar os museus para enfrentar os desafios digitais (e outros) de forma consequente e a médio prazo. Esta ausência afecta, em meu entender, a definição de equipas, de conteúdos, de competências, de recursos, etc. que possam levar os museus portugueses a competir com outros equipamentos culturais. Afecta também a capacidade de organização em rede pelos museus e vai acabar por desperdiçar o muito que foi conseguido em tempos com a Rede Portuguesa de Museus. Afecta a ligação dos museus com a academia como lugares relevantes para a experimentação,  inovação e integração. Esta ausência de política museológica em Portugal afecta de forma transversal todas as áreas do museu e, como tal, mesmo não sendo um desafio digital, julgo que será o maior que temos em mãos.

O restante boletim é excelente, na continuação do importante trabalho que a Ana Carvalho tem tido nos últimos anos, por isso recomendo vivamente a leitura e aguardo alguns comentários vossos sobre a entrevista se assim quiserem!

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