E agora – Inês Fialho Brandão

Isto é difícil.  Para quem trabalha em museus por vocação, a ordem de fechar portas imediatamente por um período indeterminado, mesmo se antecipada, é um choque emocional. Para a maioria de nós esta é a primeira vez que uma emergência destas acontece.  Não temos escolha senão recompormo-nos rapidamente porque o encerramento sine die de uma instituição que existe porque há objetos a cuidar para os poder mostrar aos outros da melhor maneira que sabemos requer um sem fim de ações para acautelar a segurança e conservação de bens, instalações e equipas.  (Bendito plano de emergência). A mim, a ordem chegou na...

O porta-chaves do meu pai e o paradoxo do Museu da...

O meu pai usou sempre o mesmo porta-chaves. Daqueles de bolso, em cabedal, que se fecham com duas molas e lá dentro têm um suporte metálico para vários ganchos, dispostos lado a lado. Sabem a que me estou a referir, sobretudo se forem da minha ou da geração anterior. Lembro-me muito bem dos gestos do meu pai associados a esse porta-chaves. Ao aproximar-se da porta, tirava-o do bolso, abria, escolhia a chave pretendida e puxava o respetivo gancho na vertical para a  destacar das outras. Enfiava a chave na fechadura, rodava e, já do outro lado da porta, repetia os mesmos passos por ordem inversa. Mas com variantes nos gestos: para voltar...

Museus: Não há autonomia sem financiamento

Durante o ano de 2018, o então Ministro da Cultura Luís Filipe Castro Mendes, comunicou que era vontade do Governo abrir um dossier importante: o tão esperado regime de autonomia dos museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos. Autonomia, Gestão Central, Financiamento O debate é sobre o futuro, mas convém recuar um pouco no tempo. Aquando da “intervenção externa” da Troika, o Governo de então sentiu-se duplamente legitimado para reduzir ao máximo o investimento público. As áreas mais afetadas são sempre as historicamente mais vulneráveis, como é o caso da Cultura. O modelo era simples e eficaz, do ponto de vista financeiro:...

O catálogo da biblioteca de Alexandria

A biblioteca de Alexandria era um dos mais importantes centros de conhecimento da antiguidade, guardava mais de meio milhão de livros e a sua destruição súbita pelo fogo representou um enorme retrocesso civilizacional. Ou talvez não. Talvez não houvesse só uma biblioteca em Alexandria, mas várias. Talvez meio milhão de obras seja um exagero, considerando o que sabemos e estimamos sobre o número de autores na antiguidade. Talvez o desaparecimento da biblioteca se deva a um processo de decadência com múltiplas causas e não a um único acontecimento catastrófico. Talvez o conteúdo da biblioteca importasse muito pouco para a evolução subsequente...

Sobre tragédias anun...

Não queria ser mais um cidadão ou profissional de cultura a externar indignação sobre a tragédia do Museu Nacional, uma vez que muitos colegas já o fizeram adequadamente. Mas resolvi escrever como forma de compartilhar parte da culpa e da estranheza que continuo a carregar. Inicialmente,...

Navegar ou pesquisar...

Há algum tempo, trabalhando numa organização muito pouco organizada no que à gestão de informação dizia respeito, percebi que existia uma duplicação brutal de dados que resultava da dificuldade que os utilizadores tinham em localizar ficheiros nos discos partilhados na rede. A organização de...