Uma reflexão sobre domínio público

A ler esta notícia do Público sobre o leilão das cartas que James Dean (um ídolo da minha juventude) escreveu à sua namorada de então, Barbara Glenn, em 1954 em época em que não era o mito que hoje conhecemos, relembrei-me de diversas conversas que costumo ter com a amiga Maria José Almeida sobre o que acumulamos e vamos deixar para trás quando aos cento e muitos anos partirmos.

A Zé costuma dizer que o melhor é não acumular nada para não dar trabalho a quem fica e por questões de privacidade, da nossa privacidade e eu concordo, mesmo sabendo nós que a memória deixada por muitos pode ser importante. No entanto até que ponto é que as cartas de amor trocadas entre duas pessoas (um dos actos de maior intimidade que conheço) podem tornar-se domínio público? Acham vocês que depois de mortas aquelas duas pessoas perdem o direito à sua privacidade? Serão elementos importantes para quem estuda o personagem James Dean e a sua história, mas até que ponto o estudo, a história, o entretenimento podem justificar a devassa da vida privada?

Que me dizem vocês?