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A ausência de reclamações

E em relação aos museus? Continuam com falta de meios…

Nos últimos seis meses, quando é que ouviu essa queixa? Nunca.

Estamos a falar de técnicos superiores para áreas como a conservação e restauro, por exemplo.

Todos os directores de museus estão em concurso e têm vindo a ser substituídos.

Não estamos a falar dos directores.

Mas é por aí que começamos. Agora eles vão fazer o levantamento das necessidades. Têm de ser feitos para percebermos como é que os museus são geridos e de que tipo de pessoas precisamos. Precisamos de mais vigilantes e guardas ou de pessoas totalmente diferentes, de guias qualificados, voluntários? Temos de encontrar soluções que não passam por um aumento do pessoal, mas por uma gestão competente e racional. O levantamento está a ser feito em todos os museus. Precisamos de criar modelos de gestão integrados e dotados de autonomia. Não se resolvem essas questões sem mudar de gestão, sem mudar as direcções dos museus e sem se definir o modelo que se quer. E isso pode passar por parcerias. Há neste momento os meios suficientes para estabilizar a situação.

Tanto em termos humanos como orçamentais?

Sim. O que queremos é que este processo seja conduzido de uma forma mais rigorosa, mais organizada, mais eficaz e mais focada do ponto de vista da gestão. Queremos que os museus se abram e sejam invadidos pela população. Não acho que os museus cumpram adequadamente a sua função cultural. Têm de ser abrir.

É preciso que compreendamos que fazer política da cultura não é fazer política do esbanjamento. Trata-se de dinheiro público e de ser absolutamente rigoroso.

Excerto da Entrevista do Sr. Ministro da Cultura ao Público.

Nem sequer vou referir-me à mudança de instalações para a Cordoaria Nacional do Museu Nacional de Arqueologia. Sobre este assunto já me pronunciei em tempos ainda que o MNA não estivesse incluído na deslocação e preocupação da altura. Parece-me um erro enorme retirar de Belém, para um edifício que não tem, por enquanto, as condições necessárias para receber as colecções do MNA.

Aliás quero até frisar que, em alguns aspectos, concordo com Pinto Ribeiro. A língua era algo menor na nossa preocupação com o património e, embora não concorde com o acordo ortográfico (os países anglosaxónicos não precisam de nenhum acordo parecido para que a língua deles seja um motor cultural), agrada-me esta preocupação com o Português.

No entanto, não posso deixar passar uma frase sobre a falta de meios: “Nos últimos seis meses, quando é que ouviu essa queixa? Nunca.” Diz Pinto Ribeiro. E eu arrogo-me a responder: em todos os fóruns de debate sobre museus e museologia nacionais? Nas conversas com colegas de profissão? Na blogosfera? Em alguns jornais? Recordo que é um problema enorme e antigo dos museus (este Ministro levou com uma pesada herança), mas não se resolve apenas pelo facto de se achar que não há queixas nos últimos seis meses ou com a substituição dos actuais directores. Com os meios disponíveis actualmente e com o modelo de gestão actual (eu gostava que os museus portugueses pudessem ser geridos por uma comissão em que estivessem presentes os mecenas, por exemplo). Resolvem-se com uma restruturação de todo este sector no que diz respeito a esta matéria.

Mas isto é apenas a minha opinião, claro.