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Museu Salazar

Têm vindo a público diversas notícias sobre a intenção da Câmara Municipal de Santa Comba Dão de criar naquela localidade um museu que incidirá sobre a vida e história do ditador português que nasceu lá. O objectivo, pelo que li na imprensa, é criar na antiga casa de Salazar um Museu e Centro de documentação onde se possa informar melhor qual o papel de um personagem que é marcante na história recente do país.

Na semana passada assisti, um pouco incrédulo confesso, a manifestações contra e a favor da criação do museu, sendo que a manifestação a favor confundia-se com um inacreditável desejo de retorno aos tempos da “velha senhora”. Os argumentos e os vivas a Salazar dos manifestantes dos que supostamente estão a favor da criação do museu são no mínimo ridículos. A criação do museu não tem nada a ver com uma suposta homenagem daquele concelho ao vestuto ditador. Por este motivo não se compreendem os vivas a Salazar, à passagem de uma manifestação contra a criação do dito museu. Ficaria melhor a quem supostamente tentou defender a criação do museu ter assumido uma postura mais democrática em relação a quem protestava contra o museu, do género “é bom que haja discordância, mas vamos lá discutir o cerne da questão!”

Os manifestantes contra o museu, em grande parte pelo mesmo motivo, ou seja, o museu não é uma homenagem a Salazar, também não me parece terem grandes motivos para não querer o museu. Bem sei que não vivi os tempos de ditadura. Nasci em 1972, sem qualquer culpa de  ter nascido naquele ano, e por isso consigo ter um distanciamento maior do que as pessoas que viveram a ditadura e sofreram com ela, mas que prejuízo existe para o país e para a democracia a existência de um local onde eu possa aprender o que essas pessoas sofreram, mesmo que esse sítio nos transmita esse conhecimento através dos olhos daquele que causou esse sofrimento?

Eu sou a favor da ciração deste museu em Santa Comba Dão, porque sou sempre a favor da existência de locais onde possa aprender mais sobre a história do meu país. Sem complexos em perceber que muitas das páginas do meu país foram escritas a negro.

PS: um pequeno aditamento para citar este interessante post.